MISSÕES NACIONAIS: LEMBRANÇAS E DESEJOS
Missões Nacionais e eu temos uma história de amor, lembranças, desejos e chamada. Tudo isso misturado num enredo típico, “escrito” por Deus. Do jeito dele. No tempo dele.
Tudo começou... não me lembro quando. Coisa de filho de pastor. Já nasci (quase) literalmente, na igreja. Minha mãe sempre nos diz, com uma pontinha de orgulho — o santo, é claro! —, que a primeira saída de casa, para cada um de nós, seus filhos, foi à igreja, para apresentação e dedicação ao Senhor. Assim, não tenho dúvidas de que o trabalho de Missões Nacionais sempre esteve “cruzando” meus caminhos na igreja.
Minha mais antiga lembrança de Missões Nacionais se reporta à Igreja Batista em Cachambi, no Rio de Janeiro. Lá participei dos meus três aos nove anos de idade. Anos 50. Lembro-me vagamente das festas em que se tornavam as campanhas para Missões. Foi lá que construí meus primeiros cofrinhos, com miolos de rolos de papel higiênico. Era a primeira materialização do amor por Missões Nacionais. Trazíamos os rolinhos para a classe da Escola Bíblica Dominical e, orientados pelas professoras, nos divertíamos com tesoura, cola e papel crepom, forrando os rolinhos e transformando-os em cofrinhos. Que alegria! Cada um mais bonito que o outro. Levávamos para casa e ali juntávamos todas as moedas que encontrávamos. Que maravilha! A criança tem uma experiência de fé forte! A cada moeda depositada, imaginávamos suprir todas as necessidades dos missionários. Hoje entendo que Deus transformava essa imaginação em realidade. Os missionários, quando de passagem pelo Rio de Janeiro, sempre apareciam na igreja para falar de seus trabalhos. Nós, crianças olhávamos para eles como grandes heróis! Quase que pedíamos autógrafos... E não é que eles verdadeiramente sãos heróis cristãos?
Já na Segunda Igreja Batista em Inhaúma, também no Rio de Janeiro, minhas lembranças são mais claras e parece que vivas até hoje. Lembro-me das visitas de Marcolina Magalhães, Beatriz Silva, Jonas Borges da Luz, Guenther Krieger, Pedrina Azevedo, esta, muito conhecida nossa, pois seu bondoso e simpático pai, irmão Ovídio, era membro de nossa igreja e, com humildade e carinho, nos permitia assistir a seu trabalho, pintando o batistério.
Eu ficava maravilhado, vendo as fotos do trabalho com os índios. Eram, na mente infantil e juvenil, trabalhos difíceis, desafiantes, em terras que imaginávamos muito mais longe do que na verdade o são.
Lembro-me de uma série de conferências do Pr. Alberto Blanco de Oliveira, na igreja em Inhaúma. Eu devia ter meus 13 ou 14 anos. Não era sobre Missões Nacionais, mas ele desafiava as igrejas a ajudarem a comprar um barco para o trabalho no Rio Amazonas. Semanas, e talvez meses, minha mente ficou “trabalhando” o desejo de ir para o Amazonas. Penso que o espírito adolescente de aventura induzia ao desejo. Não fui para o barco na Amazônia, mas nunca mais me esqueci do Pr. Blanco e do seu apelo.
Outra lembrança de Inhaúma e de minha adolescência foi uma das visitas do Pr. David Gomes, então Secretário-Geral da Junta de Missões Nacionais. Ele e D. Haydée eram muito amigos de meus pais e, algumas vezes, as famílias se visitaram. Lembro-me de ter ido com papai à casa do Pr. David, na Rua Barão de Bom Retiro, antiga sede da JMN. Lembro-me de suas filhas e do Marcos David, bem pequeninos, nas visitas mútuas. Ana Maria e Sofia eu gravei na memória até hoje. Esther Ruth, ainda não era nascida, mas hoje convivo, quase que diariamente, em Missões Nacionais, com essa mulher segundo o coração de Deus.
Mas, voltando à visita do Pr. David à nossa igreja. Ficou marcado, até hoje em minha memória o momento de apelo. Ele sempre fazia apelo para missões. Quantas pessoas iam à frente, desejando trabalhar nos campos! Mas nesse domingo à noite, foi interessante. Minha duas irmãs, Dulce e Noemi, estavam uma ao piano e outra, na regência. De repente, Pr. David pede que a congregação cante a estrofe seguinte sem regência... na outra,... pede que o piano deixe de tocar. A congregação cantou a estrofe “a capela”. O motivo óbvio: dar oportunidade para que Dulce e Noemi pudessem ir à frente, colocando sua vida a serviço de Missões Nacionais. Elas não foram. Pr. David continuou seu lindo ministério na JMN. E minhas irmãs são, hoje, esposas de pastores, com sua juventude jovem, e atual juventude madura, dedicadas ao trabalho do Senhor. Fazendo Missões? Sim. Orando... contribuindo... liderando, muitas vezes, nas igrejas por onde têm passado, as campanhas de Missões Nacionais, como diretoras da EBD. E que campanhas!...
Nos anos 70, ainda em Inhaúma, cheguei ao diaconato, fui vice-moderador da igreja e diretor da Escola Bíblica Dominical. Nossas campanhas de Missões sempre foram alegres, fortes e chamativas. Inhaúma era uma igreja pobre. Muitas pessoas necessitadas, morando nas comunidades carentes da redondeza. Quantas experiências! Senhoras que faziam pastéis e empadas para vender em benefício de Missões Nacionais. Crianças, engraxando sapatos... para Missões. E os cofrinhos de rolinhos... estavam lá!
Sempre tive uma ponta de desconfiança de que Deus ainda agiria em minha vida. Eu pensava: “Antonio, alguma coisa Deus tem para você. Seu irmão é pastor, suas três irmãs, esposas de pastores. Cinco irmãos, filhos de pastor. Por que só eu fora do ministério?”. Mas o tempo correu. Passei algum tempo longe da denominação. Voltei ao convívio. Mas a vida profissional estava lá fora.
Hoje, aos 58 anos de idade, Deus me chamou de volta. E que chamado! O menino que cantava “Posso ser um missionariozinho, se falar de Cristo ao companheirinho” foi convocado por Deus para Missões Nacionais. Eu nem imaginava! Quando vim ao Rio para, em quinze dias, escrever quatro projetos para a JMN, não podia imaginar que não mais daqui sairia. Sem ser pastor, sem cursar Teologia, sem apelo missionário. Deus olhou para mim e disse: “Filho, chegou sua hora. Na minha hora. Ao meu jeito. Dentro do meu plano”. E assim, convidado pelo Pr. Sócrates Oliveira de Souza, Diretor-Executivo de Missões Nacionais, Deus me entregou uma missão: a administração e as finanças da JMN. No meio de uma crise? Não! Para Deus não á crises. Há desafios. Então eu oro:
“Pai, louvo teu nome pela oportunidade que me deste de servir em tua causa. De servir em Missões Nacionais. De poder ser servo dos teus servos que labutam no campo. De poder ser instrumento de retaguarda daqueles que vi, ainda garoto, como Guenther e Margarida Gonçalves, e de todos os missionários de nosso quadro. Pai, unge-me com teu Espírito e concede-me humildade, espírito de servo, discernimento, sabedoria e mãos limpas, para que, por meio de minha pequena cooperação, teu povo consiga alcançar nossa Pátria para Cristo. Que neste ano, os teus servos e aqueles que não te conhecem ainda, digam SIM a Jesus. No nome dele, amém!”.
domingo, 15 de abril de 2007
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